Sentada no parapeito da janela, de pernas à chinês, contando as estrelas do céu nocturno e ligando os pontos luminosos, sorrindo às formas que desenhava, como a convidá-las para lanchar, e dando golos rápidos na caneca de chocolate quente, observando a família de duendes a brincar às escondidas do outro lado do jardim, enquanto ouvia a conversa das corujas e acenava à lua, atirando flores para a janela do Wayne e trincando biscoitos de morango, saltando para a árvore maior, espreitando a toca dos esquilos e vendo um coelho apressado - tal e qual como sempre -, correndo atrás dele e chegando à rua branca, enfiando as mãos nos bolsos e expirando o ar quente que lhe restava, vendo-o condensar-se à sua frente, caminhando sem destino, fitando o palácio e imaginando um príncipe num cavalo branco, rindo-se, cantando a par com o vento e sussurrando a letra às nuvens, caindo no colo duma e voando até à praia, fixando-se na ondulação do oceano e despedindo-se dele, - como quem se despede de um amante -, olhando de soslaio um búzio que lhe beijava uma perna, pedindo-lhe que ouvi-se as últimas palavras do mar, ouvindo, corando, ficando com os olhos rasgados e recordando a voz de Zayn e aí, contendo as lágrimas, seguiu as coordenadas do nascer do sol, caminhou de volta, vendo o unicórnio azulado do Patch por de baixo de um carvalho, afagando-lhe o dorso carinhosamente, admirando o jardim de rosas da Alexis, encontrando além a caixa de música da Mary, encolhendo-se por entre a gola da camisola, chegando ao seu quarto, subindo para o telhado, tentando ouvir o respirar da Daisy, tremendo com a brisa da madrugada e a música dos pequenos pássaros, ficando com a ponta dos dedos gelada, indo preparar outra caneca, bebendo e, sentando-se aos pés da cama, adormeceu Anne.
