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Saturday


E sabes?, em dois minutos, eu era capaz de te fazer o homem mais feliz do mundo, mas tu não me deixas quebrar as paredes que nos separam, porque tu não és de arriscar e eu não sou de insistir.
Talvez nem sejamos almas gémeas, nem parecidos um com o outro, mas eu nunca ouvi falar de um puzzle que se monte com peças iguais.
O meu café já esfriou, a sala está cheia de figuras estranhas que o coração desconhece e os olhos esforçam por decorar todas as manhãs. Custa tanto confiar em alguém da mesma maneira agora, tanto quanto caminhar nas noites de novembro pelas ruas de Valbom.
As flores das ameixoeiras da escola já desabrocharam, reparaste?, é provável que não. Afinal de contas, só te importam os pormenores quando se trata dos teus cigarros ou dos beijos de menta. Agora que penso, o teu sabor já nem me é familiar, ou melhor, sim é, mas é como se fosse uma breve passagem de um livro que a mente recorda vagamente quando se distrai.
Os dias em que me fazias dar sorrisos de alma e chorar de coração já lá vão. Não te nego a falta que me fazes, mas minto se necessário. Para ser bruta e realista, tu não precisas de mim e, na verdade, eu também não. Tu não sentes a minha falta e, para ser sincera, és-me completamente indiferente. Mas jogaste comigo, eu tive oportunidade de ganhar, e desisti de apostar contra ti, pois no fundo ainda existia uma mãozinha de esperança, existia um monstrinho traquina, a que sempre chamamos de amor, que me sussurrava ao ouvido todas as noites que pertencíamos um ao outro. Ao que parece, ele estava apenas a fazer bluff comigo. Nunca foi muito difícil iludir-me.
A lua tem-me feito sorrir e eu tenho cedido um pouco, e tenho deixado a vida visitar-me na janela. Mas ela nunca me trás notícias tuas e certas vezes arrependo-me de te ter deixado para trás. Mas o tempo corre depressa, e não espera por ninguém. Nem dá segundas oportunidades. Pelo menos, não a nós.

Tuesday


Dou por mim muitas vezes a sorrir, já sem te ter do meu lado. Mas se pensar nisso, acho-o errado. Talvez por quem me ter ensinado a sorrir desta maneira liberta, teres sido tu. Nós podemos ser comparados a quase tudo, podemos explicar-nos de várias maneiras - doces ou dolorosas -, mas no fim, eu acabo sempre com as mesmas questões. É um ciclo interminável, porque eu e tu não conseguimos tomar controlo do que se manifesta.
Os cigarros já não apagam a dor, já não fazem diferença. Aliás - como me lembram de ti - magoam-me ainda mais. Não quero escrever para ti, o meu coração rejeita-te, como o corpo por vezes rejeita os medicamentos, por achar que não é forte o suficiente para ficar bom. O meu coração pensa dessa maneira, porque ele já não ama - simplesmente. Acho que nos perdemos para sempre. Mas sabes?, deixa lá. Eu vou fingindo não me importar, vou ignorando, assim tu voas para longe e eu posso esquecer-te sem remorsos e, - quem sabe - um dia voar também. Tu não os vais sentir de qualquer maneira. Talvez eu te odeie. Talvez eu só te queira do meu lado outra vez..
A pena está a ficar sem tinta, e eu não a vou molhar de novo, pois isso significaria que quero escrever para ti. E eu não quero. 

Sunday

O Zayn volta na segunda-feira.. e, para ser honesta, estou aterrorizada. Não pelo seu retorno, mas pela reacção que vou ter. Talvez eu quisesse que ele continuasse longe, longe de mim, como o céu do oceano, longe do meu coração e, principalmente, da minha alma, que já por si é instável, e vai ficar pior - se vai - .. É estranho não querer que ele se aproxime, mas o sol e a lua nunca se tocam e no entanto o seu amor é sincronizado, perfeito - oh, e cá estou eu a divagar -. Porra, estou a morrer de medo! Não quero, não voltes, não me venhas estragar a paz que por momentos pensei ter encontrado, não venhas roubar-me o sono, não voltes a vasculhar o meu íntimo, deixa-me de uma vez; estou farta que me habitues à tua partida e depois voltes, como se nada fosse. Estou cansada. Os dedos pesam-me e a consciência também. Sinto-me a enlouquecer. Vou fechar-me em Mirrorland, - e desculpa Patch - à procura de um pouco de felicidade guardada no armário para te oferecer quando voltares. Não que mereças, é só para não fazerem perguntas - porque sabes que odeio que o façam -. E olha, vê se, pelo caminho, perdes a chave do meu coração, porque, oh, ele ficava tão bem trancado. Mas se não perderes, faz de conta que sim ou então, atira-a simplesmente pela janela - sê bem-vindo Zayn -.

Monday

E a Anne ainda não perdeu a garra para te defender, perdemos muita coisa de ti, mas isso não; apesar de eu ter pensado que ela já nem existia, confesso. Tenho medo do que te vais tornar, sabes? Antes eras a pessoa que transformava toda a minha dor em aviões de papel, e a lançava para um buraco negro, eras quem aconchegava os lençóis ao meu coração, quando ele tinha mais frio, eras quem fumava com a minha alma todos as noites, à janela, eras quem me encorajava a fazer melhor e a não desistir, eras os lábios rasgados que a minha face adorava tocar, eras quem tinha as melhores conversas comigo, mesmo em silêncio,.. eras. O que és agora Zayn? Diz-me, o que és? Não desapareceste, não, também não fugiste, não, mas deixaste-me, não foi assim?, teve de ser. Foi mais forte que tu, mais forte que eu, ou nós, se é que isso alguma vez existiu. E eu escrevo o teu nome nas folhas soltas que o vento me trás, oh, e eu apago-o, mas eu volto a escrevê-lo, e deixo quem está à volta confuso. Mas sempre foi assim, nunca soube qual a melhor altura para te falar, para te escrever. E nunca ninguém percebeu. Mas tu sim. E olha, ontem pedi à lua que me contasse como estás, e ela sorriu mas não falou, e olhou-me como quem quer abraçar alguém. E eu lembrei-me da tua voz: Eu estou bem miúda, estou sempre!, e tu? Pois, boa pergunta. E eu?